SÃO PAULO (SP) - A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da Cabesp, realizada na Casa de Portugal, em São Paulo, nesta sexta-feira (19), atraiu um público muito maior do que a capacidade do anfiteatro, que comporta cerca de 700 pessoas. Muitos associados ficaram em pé e outros, que chegaram após as 9h30, sequer conseguiram entrar. Apesar da presença maciça, a presidente da Cabesp declarou o encerramento da AGE alegando falta de quórum, mesmo com edital prevendo realização em segunda chamada com qualquer número de presentes.
Plebiscito contestado - Logo após encerrar a assembleia, a presidente anunciou a abertura de um plebiscito. A decisão foi criticada por não permitir aos associados o direito de voz para expor suas posições. Além disso, o formato do plebiscito não prevê a rejeição das propostas apresentadas, limitando os participantes a escolher entre duas alternativas, sem a opção de recusa total.
Alterações estatutárias questionadas - As propostas de mudança no Estatuto Social foram classificadas como “absurdas” por parte dos associados, que afirmam que elas contrariam a Resolução Normativa da ANS nº 649/25. Segundo críticos, as alterações retiram poderes das assembleias gerais e comprometem a paridade entre representantes dos beneficiários e patrocinadores, princípio assegurado pela legislação para planos de saúde em autogestão.
Risco de resultado inconclusivo - Outro ponto levantado é que, caso a maioria dos associados se abstenha ou vote em branco/nulo, o resultado poderá ser considerado pífio e sem representatividade. Como o estatuto não prevê essa hipótese, caberia à assembleia geral deliberar sobre o impasse, reforçando a necessidade de maior transparência e participação efetiva dos associados.
Essa situação expõe um conflito entre a direção da Cabesp e seus associados, que reivindicam maior voz e respeito às normas de autogestão. O episódio promete desdobramentos jurídicos e políticos dentro da entidade. (Da Redação _ Com informações da Abesprev - Fotos: Afaban Sorocaba e Região)

